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Cidades DIA DAS MÃES

Ser mãe: missão de amor gerada no ventre e no coração

Lorena e Raquel contam como nasceram suas histórias de entrega na maternidade

08/05/2021 16h45
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Por: Redação Agora ES
Foto: Rodolfo Santos
Foto: Rodolfo Santos

Por Geiza Ardiçon

Duas histórias que refletem amor, coragem e a generosidade de ser mãe. Nessa missão, gerada no ventre ou no coração, seja de que forma for, os sentimentos são grandiosos, como relatados pela jornalista Lorena Loss Müller e pela professora Raquel Alves Baltazar de Souza. São sentimentos que merecem ser homenageados nesse Dia das Mães, comemorado neste domingo (09). As histórias são de famílias distintas, mas que têm um ponto em comum: a mudança trazida pelos filhos nos lares de cada uma.

Gestação do amor

Sabe aquele sonho que espera o momento certo para nascer? Foi assim para Raquel, que, após 27 anos de casada, gerou de uma só vez quatro irmãos.

“Estava eu numa bela manhã planejando minhas aulas e dei uma olhadinha no Grupo de Apoio a Adoção Raízes a Asas, de Cariacica, e lá estava o seguinte texto: ‘busca ativa para grupo de irmão (menina 10 anos, menino 7 anos, menino 4 anos, menina 1 ano). Só isso e nada mais. Não existia uma foto, não existia nomes. Na hora eu virei para quem estava ao meu lado e falei: ‘encontrei meus filhos! Simples, são os meus filhos”, contou.

Assim nasceu a mãe de Keyti, Enrique, Kauã e Vitoria, quatro irmãos biológicos que estavam à espera de quem os envolvesse de amor materno. Raquel, que não tinha conseguido engravidar naturalmente, já possuía cadastro de pretendentes a adoção e cadastro das crianças disponíveis. Ela explicou que, geralmente, esses dados são cruzados e o casal, tendo o perfil compatível com o perfil das crianças, é contatado pela comarca das mesmas.

“No meu caso não foi isso que aconteceu: meu perfil era para três filhos e eles eram em quatro. Então não fomos procurados pela comarca das crianças, mas como não existia no Brasil casais habilitados para tal perfil, eles seriam encaminhados para adoção internacional. Porém, antes disso, a justiça autoriza que seja feita busca ativa”, afirmou.

E foi após aquela manhã, em que ela instintivamente foi direcionada à informação sobre a adoção dos quatro irmãos, que passou a viver uma gestação de amor. “Entrei em contato com a comarca deles (era em outro Estado) e falei do meu interesse pelos quatro. Existia a possibilidade de separá-los, pois ninguém, naquele momento, aceitava quatro crianças. Eu fui firme e falei: 'só aceito se for os quatro'. A partir desse momento fomos para a parte burocrática para conseguir autorização para conhecê-los”, contou.

Percorridos 500 quilômetros, em uma tarde chuvosa, depois de duas semanas que Raquel havia visto a publicação da adoção, eles se conheceram. “O encontro foi mágico, mas eu estava com um frio enorme na barriga. Pensamentos vinham e me confrontavam: você, que tem uma vida tão certinha, tão organizada, vai conseguir ser mãe de quatro crianças com demandas tão diferentes?", pensava.

O casal cumpriu todas as exigências da justiça até o processo de pedido de adoção dos filhos, que já moram com eles há mais de seis anos. “Eu sou mãe porque quis muito e decidi que essa seria a forma de ter filhos. Temos um vínculo muito forte, pois nós escolhemos ser uma família. Eles são meus filhos e eu sou a mãe deles”, declarou.

Gestação no ventre

Foto: Rodolfo Santos

Um dos momentos regados a altas emoções na vida de Lorena foi o nascimento do pequeno Bento, hoje com apenas 1 ano. Lorena, que também é mãe de Pedro, 4 anos, foi presenteada com dois filhos e de forma especial. “Sempre foi um planejamento, desde que eu e meu esposo casamos. Planejamos ter o Pedro e, quando ele tivesse de 2 para 3 anos, queríamos viver a segunda gravidez", contou ela.

Após um exame de rotina, durante a gestação, a Translucência Nucal, o médico que acompanhava a Lorena observou uma pequena alteração no bebê e orientou seguir a investigação. Em outros exames foi apontada uma alta probabilidade de síndromes incompatíveis com a vida.

“Nosso medo era o bebê ter uma síndrome mais grave, eu ter a gestação e o bebê não sobreviver. Meu pânico era gerar uma criança e ela não sobreviver”, afirmou.

Foram meses de busca pelas respostas e, nesse trajeto, em meio à angústia, Lorena se apegou à fé e à esperança de ter seu filho no colo. “O Senhor me deu a benção de ser mãe. Esse neném é seu, só estou gerando! Que seja feita a Tua vontade. Se a Sua vontade é de que ele tenha alguma síndrome, que eu tenha forças”, conta Lorena sobre suas orações.

Foto: Rodolfo Santos

Ela lembra da paz que sentiu quando a síndrome foi identificada e confirmada como a Síndrome de Down. “A médica me disse: ‘seu filho vai ter uma qualidade de vida maravilhosa, porque ele é perfeito’. Antes de nascer ele já tinha o tamanho certo dos ossos, não nasceu com nenhuma cardiopatia, que é muito comum nas pessoas com essa síndrome. Não tem nada, é perfeito", conta.

Bento nasceu no dia 26 de março de 2020 e, de lá para cá, Lorena, ao lado do esposo e do filho Pedro, passaram a viver amor de forma multiplicada dentro de casa. “O bebê trouxe mais amor, veio para ampliar isso. Ele é extremamente carinhoso. Só trouxe mais amor à nossa família. Bento é uma benção. O nome dele não foi à toa: Bento de abençoado, porque é uma benção em nossa vida. Eu só agradeço a Deus!”, disse Lorena.

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