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Esportes Olimpíada de Tóquio

Gabriela Chibana não precisa mais entrar escondida na Vila e busca ouro em Tóquio

Entrar na Vila Olímpica de Tóquio como integrante da equipe brasileira de judô já foi o primeiro momento de glória para Gabriela Chibana, 27

22/07/2021 15h11
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Por: Redação Agora ES Fonte: FOLHAPRESS
A atleta Gabriela Chibana, que já foi sparring da equipe de judô, disputa sua primeira Olimpíada - Divulgação
A atleta Gabriela Chibana, que já foi sparring da equipe de judô, disputa sua primeira Olimpíada - Divulgação

ALEX SABINO - TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) 

Entrar na Vila Olímpica de Tóquio como integrante da equipe brasileira de judô já foi o primeiro momento de glória para Gabriela Chibana, 27. A primeira vez que ela conheceu o conjunto de prédios onde vivem os esportistas durante os Jogos foi escondida, em Londres-2012.

Ela havia viajado como sparring de Sarah Menezes, que seria naquele ano a primeira atleta do país medalhista de ouro na modalidade. A novata queria muito conhecer a vila, mas seu acesso era proibido.

Sarah deu um jeito para sua companheira de treinos entrar mesmo assim.

"Ela falou que eu não teria onde dormir. Disse que não importava. Dormiria em qualquer lugar. O que desejava era estar lá. Quando a Sarah me disse que daria um jeito para eu ir lá, já me senti muito bem", afirma a atleta à reportagem.

No sábado (24), Gabriela será a primeira brasileira a competir no judô, na categoria até 48 kg. Será o fim de uma espera que começou em 2012 ao assistir, da beira do tatame, Sarah Menezes derrotar a romena Alina Dumitru e ficar com o ouro.

"Foi quando tudo começou mesmo. Você vê a pessoa ali, medalhando, e passa a querer isso na sua vida também. No dia seguinte eu aqueci com a Erica Miranda e em 2016 voltei a ser sparring. Hoje é a minha vez. Judô é ciclo", comenta a atleta patrocinada pela Ajinomoto.

É um ciclo não apenas esportivo, mas de vida. Nos cinco anos que separaram a Rio-2016 dos Jogos de 2020, Gabriela fez muito mais do que ser uma judoca. Prestou vestibular e entrou na faculdade de Enfermagem. As viagens pela seleção brasileira a fizeram trancar matrícula por um ano, mas depois voltou aos estudos.

Em vários momentos da preparação para buscar a vaga para Tóquio, acordava às 7h da manhã para entrar no estágio em obstetrícia. Saía entre meio-dia e 13h para começar a treinar às 14h. Deixava o ginásio apenas às 21h para recomeçar tudo no dia seguinte.

"Acordava cansada, mas havia um objetivo no final disso tudo. Meu coordenador dizia que eu deveria me orgulhar por conseguir conciliar os estudos e a vida de atleta. Não eram muitas pessoas que faziam isso", relembra.

Era o que seu pai Rui também lhe dizia. Se começar, vá até o fim. Ele a incentivava quando ainda Gabriela nem era integrante da seleção. A filha poderia ser apenas uma sparring, mas deveria ser a melhor. Era o papel a ser desempenhado para ajudar a equipe.

O judô está no sangue da família. O avô dela, Kohan, era praticante, assim como todos os oito filhos e 20 netos dele. Foram os familiares que, após a classificação de Gabriela, passaram a responder as perguntas que ela não aguentava mais ouvir: se estava ansiosa e quando viajaria para o Japão.

Ela cita ensinamentos que aprendeu no judô e leva para a vida, como o Jita Kyoei, o benefício mútuo. O que você fizer bem agora, terá o benefício lá na frente. Não foi isso o que lhe aconteceu ao ser sparring nos Jogos de 2012 e 2016? Fez tudo aquilo por acreditar que chegaria o seu momento.

Assim que confirmou a vaga para Tóquio, uma das primeiras mensagens que recebeu foi de Sarah Menezes, parabenizando a colega. Não é a única conselheira olímpica que tem. No Pinheiros, em São Paulo, os técnicos são Tiago Camilo (prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008) e Leandro Guilheiro (bronze em Atenas-2004 e nos Jogos de 2008).

No caminho para a medalha, Gabriela pode ter uma adversária também da área médica: a argentina Paula Pareto, atual campeã olímpica da categoria e traumatologista. As duas se conhecem, já se enfrentaram, mas se a rival ficou com o lugar mais alto do pódio em 2016, a brasileira não vê motivo para que neste sábado não seja a sua vez.

"Eu quero o ouro. Se estou aqui, é porque sou a melhor [do Brasil na categoria]. Se eu não acreditar em mim, quem vai acreditar?", questiona.

Tudo se resume, no fim, aos ensinamentos que recebeu do pai e desde os primeiros anos do judô. O benefício mútuo. Não importa o que fizer, seja a melhor possível. Se começar, vá até o fim. Não tenha arrependimentos.

"Eu vou colocar todo o meu judô, todas as minhas energias, tudo o que eu puder doar dentro daquele tatame. Vou me entregar realmente. É todo meu esforço de vários anos treinando para chegar aqui em busca da medalha de ouro. Este é o sonho", finaliza.

 

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